
Florianópolis, 08 de março de 2026.
O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data histórica de luta por direitos, dignidade e igualdade. É um momento de reafirmar nosso compromisso com a vida das mulheres.
Nosso país tem enfrentado um dos desafios mais urgentes do nosso tempo devido a persistência e gravidade das violência de gênero contra as mulheres cada vez mais frequentes. De acordo com Organização Mundial da Saúde, o Brasil figura entre os cinco países com maiores taxas de assassinato de mulheres no mundo indicam que o país já ocupou a quinta posição global em taxas de homicídio de mulheres, evidenciando a gravidade do problema e a necessidade de respostas institucionais consistentes.
Indicadores recentes mostram que essa violência não pode ser naturalizada. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, o país registrou 1.492 vítimas de feminicídio e revela que: “No último ano, todos os dias, ao menos quatro mulheres morreram vítimas de feminicídio no Brasil” (FBSP, 2025).
Neste mesmo período, foram registrados 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, o que corresponde a uma ocorrência a cada seis minutos no país. São dados que evidenciam uma epidemia de violência de gênero contra as mulheres e o feminicídio é a expressão mais extrema e visível dessa violência.
No entanto, ele raramente é o primeiro ato de violência. Antes da morte brutal, muitas mulheres atravessam um percurso marcado por agressões, ameaças, humilhações, controle de suas escolhas, silenciamentos e tantas outros sinais e sintomas que se acumulam ao longo do tempo. Nesse processo, a violência vai corroendo, dia após dia, a autonomia, a saúde, a dignidade e as possibilidades de viver plenamente.
Da mesma forma, as desigualdades de gênero também produzem formas silenciosas e persistentes de violência, que sufocam, limitam e desgastam a vida das mulheres ao longo do tempo. Barreiras sucessivas no acesso a direitos, oportunidades e reconhecimento social vão restringindo suas possibilidades de existir com liberdade e segurança.
Essas desigualdades também se expressam de maneira desigual entre diferentes grupos de mulheres. Mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mulheres trans e travestis, mulheres com deficiência, entre outras, frequentemente enfrentam maiores riscos de violência, discriminação e exclusão.
No último ano, a criação do Pacto Brasil entre os Três Poderes pelo Enfrentamento ao Feminicídio representa um esforço de articulação entre diferentes instâncias do Estado brasileiro para ampliar ações de prevenção, proteção e responsabilização no enfrentamento à violência de gênero.
Nesse contexto, a Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (CDGEN/UFSC) vem a público convocar as universidades e as demais instituições de educação a desenvolver iniciativas voltadas a promoção da equidade de gênero e prevenção e eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres.
Desde a formalização do setor em 2022, nossa equipe tem trabalhado em diversas frentes como atendimentos individuais e coletivos, atividades educativas, campanhas institucionais e assessoramento a setores da universidade e outros órgãos públicos sobre relações de gênero e direitos das mulheres.
A campanha UFSC Contra o Assédio Sexual , lançada em 2023, é um importante posicionamento institucional da universidade, orientado à educação e prevenção, promoção do acolhimento às vítimas, fortalecimento dos canais e procedimentos de denúncia, apuração e responsabilização.
Neste sentido, estamos unindo esforços junto à comunidade universitária para a construção e implementação da Política de Equidade de Gênero da UFSC, que busca olhar para nossas especificidades e propor estratégias voltadas à promoção da equidade no ambiente universitário.
Nossos Projetos de Extensão: Entrelaços – Roda de Compartilhamento entre Mulheres e Refletindo Masculinidades têm sido nacionalmente reconhecidos pela prestação de serviços voltados a estudantes, docentes, servidoras técnico-administrativas, trabalhadoras terceirizadas e demais pessoas da comunidade universitária.
O enfrentamento da violência de gênero contra mulheres exige o envolvimento de toda a sociedade e a Equipe CDGEN reafirma seu compromisso para o fortalecimento de redes intersetoriais com outras instituições públicas e demais setores da sociedade para o enfrentamento da violência de gênero contra a mulher e a construção de práticas anti-discriminatórias através da educação.
Pela vida das mulheres!
Por uma vida livre de violências!
Fontes:
forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/07/anuario-2025.pdf
https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/central-de-conteudo/textos/pacto-brasil-entre-os-tres-poderes-para-enfrentamento-do-feminicidio
https://cdgen.ufsc.br/2023/08/18/lancamento-da-campanha-institucional-ufsc-contra-o-assedio-sexual/
https://noticias.ufsc.br/2023/06/grupo-que-vai-estudar-e-promover-acoes-de-equidade-de-genero-na-ufsc-comeca-a-atuar/
enap.gov.br/acontece/noticias/enap-divulga-finalistas-do-concurso-inovacao-no-setor-publico/