CDGen divulga levantamento sobre violência de gênero e fortalece implementação da Política de Equidade de Gênero da UFSC
A Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero (CDGen/PROAFE) publicou o Relatório do levantamento sobre violência de gênero com pessoas servidoras da UFSC, resultado de uma pesquisa realizada com pessoas servidoras docentes e Técnicas-Administrativas em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Realizada entre setembro e outubro de 2025, a pesquisa contou com 120 participantes, de diferentes unidades e campi da Universidade.
Mais do que mapear experiências de violência, o estudo buscou “compreender as percepções, experiências e desafios relacionados à violência baseada em gênero no cotidiano institucional, considerando situações vivenciadas e presenciadas, além de analisar a percepção sobre a presença e a valorização de mulheres e pessoas de identidades de gênero dissidentes, especialmente em cargos de gestão”.
O resultado chama atenção: 80,8% das pessoas participantes disseram já ter vivenciado e/ou presenciado situações de violência de gênero na UFSC. Os relatos mostram que essas violências acontecem em diferentes espaços da vida universitária e reforçam a necessidade de prevenção, acolhimento e responsabilização.
Diagnóstico que fortalece a Política de Equidade de Gênero
O levantamento não termina nos números. Ele se conecta diretamente à Política de Equidade de Gênero da UFSC, instituída pela Resolução Normativa nº 231/2026/CUn, que estabelece princípios, objetivos e ações para promover a equidade de gênero em todas as instâncias institucionais e enfrentar as desigualdades e violências de gênero na Universidade. A elaboração da Política, coordenada pela CDGen, reconhece a produção de diagnósticos como ferramenta fundamental para o planejamento, monitoramento e aperfeiçoamento das ações institucionais. Ao identificar onde estão os principais desafios, a pesquisa oferece um diagnóstico que ajuda a orientar prioridades, planejar ações e acompanhar a implementação da política institucional.
Entre os temas investigados, o levantamento analisou o conhecimento das pessoas servidoras sobre os canais institucionais de acolhimento e denúncia. Embora a maioria das pessoas respondentes reconheça a existência desses serviços — especialmente a Ouvidoria da UFSC —, os resultados apontam a necessidade de ampliar a divulgação dos fluxos de atendimento e fortalecer a comunicação sobre o Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (SEAVis).
Representatividade e equidade nos espaços de decisão
Outro eixo da pesquisa abordou a percepção sobre equidade de gênero na Universidade. As respostas indicam desafios relacionados à representatividade de mulheres e pessoas de identidades de gênero dissidentes em espaços de gestão e liderança, bem como à influência das relações de gênero no reconhecimento profissional e nas oportunidades de ascensão na carreira.
Esses achados convergem com as diretrizes da Política de Equidade de Gênero. Em seu artigo 8º, a Resolução Normativa nº 231/2026/CUn estabelece que a Administração Central da UFSC deve estimular a criação de normas internas para buscar a paridade de gênero nas instâncias representativas da Universidade, como conselhos, colegiados, comissões e grupos de trabalho. A mesma normativa também prevê destinar percentual de cargos de direção e de chefia à mulheres e pessoas de sexo-gênero dissidente de acordo com a porcentagem presente na população da comunidade universitária, fortalecendo a participação desses grupos nos espaços de decisão. Nesse contexto, o levantamento oferece um diagnóstico que contribui para identificar os desafios concretos à implementação da Política de Equidade de Gênero e para acompanhar seus avanços ao longo do tempo.
Recomendações da comunidade apontam caminhos para a implementação da política
O relatório também reúne sugestões elaboradas pelas próprias pessoas participantes para tornar a UFSC um ambiente mais seguro e inclusivo. Entre as sugestões destacam-se formações permanentes sobre gênero, diversidade e enfrentamento das violências; fortalecimento dos canais de acolhimento e dos fluxos de atendimento; campanhas contínuas de prevenção e sensibilização; maior representatividade nos espaços de decisão; e aprimoramento dos processos de responsabilização diante das violências.
Inúmeras dessas propostas já estão previstas na Política de Equidade de Gênero, que estabelece ações de formação continuada para pessoas servidoras, fortalecimento dos serviços de acolhimento, elaboração de protocolos institucionais e atuação articulada entre diferentes unidades da Universidade para a promoção da equidade de gênero e o enfrentamento das violências.
Produção de conhecimento para transformar a Universidade
O levantamento integra as iniciativas da CDGen voltadas à produção de diagnósticos institucionais sobre diversidade, equidade e violência de gênero. Ao reunir as experiências da comunidade universitária, a pesquisa cria uma base para que a UFSC planeje, implemente e avalie ações de forma contínua.
A pesquisa e a Política de Equidade de Gênero constituem, assim, respostas institucionais complementares: enquanto o levantamento identifica desafios, experiências e demandas da comunidade universitária, a Política de Equidade de Gênero estabelece diretrizes e compromissos para transformar esse diagnóstico em ações permanentes, fortalecendo uma UFSC mais democrática e distante de violências de gênero.





